21 de julho de 2010

Principal afluente do Rio Araçuaí pede socorro

O rio Itamarandiba, principal afluente do Rio Araçuaí, na bacia do Rio Jequitinhonha emite sinais que refletem sua degradação

Rio Itamarandiba : o risco de se tornar um leito de poeira e lamento, como o que ocorreu com o Rio Piauí, no município de Araçuaí, e em tantos outros no município de Berilo e em todo Vale, é algo cada vez mais próximo.

O principal afluente do Rio Araçuaí, na bacia do Rio Jequitinhonha, emite sinais que refletem sua degradação.

O Rio Itamarandiba, veia de integração regional entre diferentes municípios do Alto Jequitinhonha, é amplamente utilizado pela agropecuária extensiva e demais atividades agrícolas. O desmatamento histórico de pequenas nascentes que alimentam o rio ao longo de seu percurso até a sua foz no Rio Araçuaí, somado ao desflorestamento de suas matas ciliares, têm contribuído para a morte gradativa do rio.

A população ribeirinha ainda não se atentou para a necessidade de fazer com que suas propriedades rurais produzam o principal produto do campo: água. Ao contrário, observa-se que as matas ciliares vêem se transformando numa seqüência de canos de captação d'água lançados no rio, ainda que seja, na maioria dos casos, com outorga e demais formalidades.

Mas a questão merece reflexão

As propriedades rurais itamarandibanas possuem nascentes, porém com o uso de práticas de manejo incorretas muitas já são intermitentes, possuindo água apenas no período de chuvas. Agora, as propriedades rurais que deveriam alimentar o rio a partir da recuperação de suas nascentes fazem com que o inverso ocorra. Ao invés de alimentarem o rio, agora elas o usurpam.

Isto não é pensar nas futuras gerações, tão pouco nesta.

Atualmente, existem projetos governamentais que oferecem incentivos para a preservação das florestas e fornecimento de materiais, de forma gratuita, para o cercamento de nascentes, mas o acesso a essas informações se apresenta tímido frente a rotina que prende o pequeno produtor rural no campo em suas tarefas habituais, além do problema da falta de consciência ecológica.

E assim, o drama do desmatamento e criação de animais em aréas de preservação permanentes segue inalterado. O Rio Itamarandiba, que brinda ao Alto Jequitinhonha, exuberantes paisagens, aréas de lazer, e rico potencial ambiental e socioeconômico, sofre ainda diversas agressões que denunciam o descaso de nossa postura para com o rio.

Em 2009, numa comunidade rural de Itamarandiba (Ponte de Santana), a cerca de 11 km do centro da cidade, num dos pontos mais procurados pelos banhistas, inúmeros ossos de bovinos foram jogados no leito do rio.

Após a ação da comunidade local e comunicação ao Ministério Público, os ossos foram removidos, dado ao alto risco de contaminação por patologias, Logo após, uma placa foi afixada no local, sinalizando-o.

Assumir uma postura séria e responsável é condição de possibilidade para a garantia de um meio ambiente ecologicamente equilibrado.

Daí a necessidade e urgência da prevenção e preservação dos recursos naturais do município, que alimentam a vida e a economia no Vale do Jequitinhonha, dever que recai sobre cada um de nós e não somente ao estado.

Fonte: Com informações do Blog itamigos

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