12 de outubro de 2012

Vale do Jequitinhonha: projeto leva música a cidades da região

O projeto "Sons no Vale" leva oficinas de iniciação nas áreas de musica-lização, sonorização e iluminação para cidades do Vale do Jequitinhonha

Inácio Neves está acostumado a desbravar os rincões do Brasil para levar a sétima arte a pequenas cidades onde não há cinemas. Ele é o criador dos projetos "Cinema no Rio" (feito anualmente em cidades ribeirinhas do São Francisco) e "Cinema nos Trilhos" (que era realizado em cidades à beira da linha ferroviária do norte do país). Dessa vez, o produtor resolveu adaptar a ideia para outra área, a música.
Na primeira etapa, realizada nos meses de agosto e setembro, foram visitadas as cidades de Rio Vermelho, Serra Azul de Minas, Santo Antônio do Itambé, Alvorada de Minas, Datas, Presidente Kubitschek e Serro.

A partir desta quarta-feira (10), acontece a segunda etapa nos municípios de Senador Modestino Gonçalves, Felício dos Santos, Turmalina, Veredinha e Gouveia.

Outras 11 localidades serão visitadas até março do ano que vem. Todas as cidades escolhidas possuem a Estação Conhecimento da Vale, patrocinadora da iniciativa.

Oficinas e shows

"Fiz quatro edições para o 'Cinema nos Trilhos', mas após a crise de 2008, ele deixou de existir, assim como vários outros projetos. Quando tentei voltar com a ideia, a Vale me colocou um desafio: pense num projeto diferente", diz Inácio Neves, que sempre fez questão de abrir espaço para shows de artistas locais na realização de suas empreitadas.

Em cada cidade, a equipe de 22 pessoas – entre professores, monitores, videomakers, pesquisadores e produtores – trabalha por três dias.

Após as oficinas, todos os envolvidos trabalham em um show, aplicando seus conhecimentos. Além disso, é apresentado um curta-metragem focado nas aulas e nas pessoas de cada lugar.

As vagas são bastante disputadas por moradores das mais diferentes características. Mesmo assim, a equipe já percebeu que os funcionários das rádios locais buscam pelas oficinas de sonorização, enquanto os músicos não querem apenas uma oportunidade na aula de musicalização, como também querem aprender sobre luz e som.

Música para todos

"Na musicalização, nos preocupamos em ter pessoas de setores diferenciados, como o pessoal das igrejas, os mestres da viola, o roqueiro, o que gosta de funk.
Tem até gente que não sabe tocar nada. Eles ensaiam duas ou três músicas e depois tocam numa grande confraternização", explica Neves.

Assim como no "Cinema no Rio", as pessoas se sentem reconhecidas ao se verem no palco e na tela. Mas no "Sons no Vale" há um diferencial. "O Vale do Jequitinhonha é uma região muito musical, é impressionante como todas as cidades têm bandas. O problema é que essas pessoas trabalham com música durante um período da vida e depois têm de largar".

Aprendizado: "vamos levar essa experiência para toda a vida"

Moradora de Rio Vermelho, Mauriceia de Jesus Amora da Silva, de 33 anos, fez questão de participar da oficina de musicalização junto aos seus dois filhos – Sandro, de 14 anos, e Sérgio, de 12. Na apresentação final, ela tocou xilofone, o menino mais velho se apresentou com a viola, enquanto o mais novo esteve com o surdo.

"Foi uma coisa muito nova para mim e meus filhos. Nunca tínhamos trabalhado com esse tipo de música. É uma melodia diferente do que estamos acostumados", diz a mãe dos garotos, que formaram uma dupla sertaneja. "Vamos levar essa experiência por toda a vida", acrescenta.

Técnica musical

Professor de música em três cidades do Vale do Jequitinhonha, Anderson da Silva, o Decinho, fez questão de participar das oficinas junto aos seus alunos da Banda de Música de Santo Antônio de Itambé. "Foi inovador para todos nós. Vimos como é possível pegar uma música que já existe e dar um arranjo diferenciado para ela. Gostamos muito das técnicas ensinadas pelo professor Kristoff Silva", diz Decinho. Mais do que aprender sobre técnica musical, os garotos puderam ainda entender melhor como trabalhar em grupo. "Houve um trabalho conjunto e cada um pôde colocar o que estava sentindo. Foi um incentivo para eles estudarem mais, pois viram que a banda pode ter vários outros instrumentos", explica o professor, morador do Serro.

Fonte: Com informações do Hoje em dia

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